Os 12 Passos e o Método Minnesota

A origem do grupo de Alcoólicos Anónimos [AA] é pouco conhecida, preconizando-se a sua fundação aquando da primeira reunião em Akron, nos Estados Unidos da America, em 1935. Quando as reuniões se começam a difundir pelo país, sentiu-se a necessidade de um local que pudesse acolher os alcoólicos que sobreviviam em sofrimento e queriam parar de beber. A partir de Akron, alguns centros baseados nos princípios de AA foram sendo abertos, mas todos eles pareciam entrar em colapso. É então nos anos 40 que se dá a convergência, no Minnesota, de dois movimentos distintos, que viriam a gerar o Modelo Minnesota: Hazelden e o Wilmar State Hospital. É nesta altura que começam a surgir os primeiros resultados e, com base nestas experiências, são desenvolvidas formalmente equipas multidisciplinares que integravam membros de AA, em recuperação, que actuavam como conselheiros. Estas primeiras equipas viriam então a combinar a filosofia do movimento de AA, com a psicoterapia humanista, a psicoterapia comportamental e a psicoterapia baseada na confrontação com a realidade. Nasce assim o Modelo Minnesota, o primeiro de todos os modelos de tratamento da dependência química a assumir uma base estruturada nos preceitos dos Doze Passos e a fazer uso, paralelamente, de uma abordagem (e equipa) multidisciplinar.

Para os fundadores de AA, acreditar em algo superior ao poder humano e à própria doença revelou-se crucial. O Método Minnesota assume também esta crença. No entanto, é de realçar que se trata de um programa espiritual e não religioso. Ora, se a adição é uma doença que prejudica a pessoa em termos físicos, mentais e espirituais, o tratamento deverá abordar todos estes domínios.

O Método é hoje definido como um modelo de tratamento a longo prazo e multidisciplinar, onde profissionais e pacientes colaboram conjuntamente na definição do seu tratamento. Este deverá ter por foco a mudança de estilo de vida, dado que o processo de recuperação dependerá do suporte oferecido pelos sistemas naturais tais como a família, os amigos e os grupos de ajuda mútua. O seu processo inicial é intensivo e de curta duração, desligando o paciente do seu meio ambiente durante um limitado período de tempo.

A ideia radicalmente nova é que a intervenção é direta sobre a doença enquanto processo primário. Até aqui (e, ainda hoje, por muitos), a dependência sempre havia sido encarada como um sintoma ou resultado de alguma situação subsequente e este modelo vem defender que nem sempre isso parece ser verdade. Mais, a prática clínica parece indicar que com a abstinência, e ainda mais quando aliada ao tratamento, a maioria dos sintomas emocionais e psicológicos decorrentes tende a diminuir consideravelmente com o tempo. Efetivamente, embora existam pessoas que tenham conseguido moderar os seus padrões de consumo abusivo, na larga maioria dos casos a abstinência completa parece ser a única forma de controlo efetiva.

Com o decorrer dos anos, tornou-se conhecido o sucesso de AA e os seus grupos foram-se alastrando um pouco por todo o mundo. No entanto, apenas dirigidos a pessoas que queriam deixar de beber, sentiu-se a necessidade de alargar o espectro de ajuda. Em 1953, com a primeira reunião realizada na Califórnia, dá-se o nascimento da Irmandande de Narcóticos Anónimos [NA]. Atualmente, existem já outros grupos de apoio, tais como Jogadores Anónimos, Anoréxicas Anónimas, Emocionais Anónimos (entre outros) e, para as famílias, os grupos Al-Anon e Famílias Anónimas.

Os 12 Passos são os instrumentos necessários à Recuperação e a sua prática é o que torna esse processo possível, tornando-se, em tratamento, nos principais instrumentos terapêuticos. A frequência nestes grupos de auto-ajuda, após o internamento, é amplamente aconselhada.

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